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Após a crise, as oportunidades

Para algumas atividades da economia, a crise causada pela pandemia da Covid-19 pode gerar resultados positivos em curto prazo, como é o caso do setor de fusões e aquisições de empresas (m&a, sigla do inglês mergers and acquisitions). "Passar a ter um sócio é uma boa forma de conseguir recursos para a empresa. Não tem custo, juros, custos ou correção. E o dinheiro vai direto para o caixa", resume a especialista em M&A, sócia e advogada empresarial da Martorelli Advogados, Fabiana Nunes. Quando o assunto é abrir sociedade em uma empresa, segundo Fabiana, os proprietários ainda têm o receio de perder as rédeas no negócio, mas a maioria já reconhece que a estratégia pode trazer excelentes resultados. O momento, defende a especialista, é de começar exercícios de preparação, no jurídico e nos números, "e conseguir ser o primeiro da fila" no momento da negociação. O setor parte da teoria de que a estrutura societária exige mais retidão na gestão de contas e não permite vícios corriqueiros como a mistura das despesas pessoais com as da empresa. No "novo normal" que começará pós-pandemia, as empresas devem se preparar internamente para entrar nessa operação. "Participo de alguns grupos formados por profissionais do mundo inteiro e tentando entender qual crise estamos vivendo, percebemos que tem mais semelhanças com a do 11 de setembro do que com a do subprime", explica Fabiana Nunes. Esta é uma fase de diagnóstico, que um eventual comprador teria de preparar um tipo de material de marketing com a história, os números e mostrar que a empresa está aberta.

É uma organização de custo baixo, mas de importância estratégica. "O período posterior à pandemia pode ser estratégico porque o pós-crise é um momento de oportunidades", alerta a especialista. Empresários que aproveitarem para organizar questões burocráticas, para deixar a estrutura organizada facilitarão trâmites de fusões e vendas de ativos. Na análise de Fabiana Nunes, até a alta do dólar será um ponto de vantagem para as empresas brasileiras no ponto de vista do investidor estrangeiro. "A queda do câmbio vai acontecer, mas de forma lenta. Eu posso dizer que nessa situação o investidor paga até mais (pela empresa ou ação) para não arriscar". "Depois desse tipo de crise, a curva tem tendência de crescimento agudo. Sabemos que muitas "morrerão" durante a crise, existe uma pesquisa que mostra que uma empresa média sobrevive até 27 dias sem receita alguma. As que conseguirem passar, vão chegar "ofegantes" e precisando de recursos. Então, a venda total ou de parte é uma das saídas", argumenta a especialista. Além disso, a economia vivia um "super boom" no mundo, com grande liquidez e juros bancários baixos, e Fabiana Nunes alerta que a pandemia vai reduzir, mas não zerar esse cenário.

Publicado originalmente no Diario de Pernambuco