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Quando o home office vale a pena

Segundo pesquisa divulgada pela Alelo Hábitos de Trabalho, trabalhar em casa ou de qualquer outro lugar que não seja a própria empresa é a opção dos sonhos para 49% das pessoas empregadas, para 55% dos autônomos e para 55% dos desempregados. No entanto, para que o serviço em home office traga benefícios tanto para a empresa quanto para o colaborador, é preciso ter disciplina e foco para cumprir as atividades laborais.

O consultor empresarial Guilherme Alves afirma que dentro de algumas seleções de emprego, algumas empresas já têm avaliado a disciplina do candidato mediante prazos no trabalho em casa.

"Dentro de casa existem muitas distrações. Por isso, tem sido levado em consideração o aspecto comportamental de foco e cumprimento de prazos. Sabendo disso, é aconselhado estabelecer metas para o dia, a semana e o mês. Isso ajudará o profissional a manter a disciplina" aconselha Alves.

Caso o trabalhador compartilhe a casa em que mora com outras pessoas, faz-se necessário, também, uma conversa com os demais moradores, pedindo para que interfiram o mínimo possível nos ambientes de trabalho.

O webdesigner e designer gráfico Telso Amorim ressalta a importância da colaboração e compreensão de todos os moradores da residência. "Aqui em casa, quando estou em meu escritório, o pessoal sabe que não pode entrar a qualquer momento e de qualquer jeito. Por exemplo, hoje estou com um problema na bomba d"água na minha casa, mas minha família sabe que não posso parar de trabalhar para resolver essa pendência. O horário de trabalho não é negociável", pontua Amorim.

VANTAGENS Um dos pontos mais valorizados do home office é a otimização do tempo. O desenvolvedor de software e sócio da empresa Bemind Dyego Vasconcelos explica que desde 2013, quando iniciou o trabalho fora do ambiente corporativo, teve um aumento em seu rendimento também por causa do uso do tempo que antes era perdido no trânsito indo e voltando para a empresa.

"Quando eu trabalhava presencialmente na empresa, perdia muito tempo saindo da minha casa, que era na Várzea, para a empresa no Centro do Recife. Trabalhando em casa ganhei duas horas e 30 minutos de trabalho", diz Dyego.

Além do conforto do lar, o trabalho em casa fornece também a liberdade do próprio colaborador fazer seus horários. "Quem procura o trabalho remoto procura também qualidade de vida. E tendo uma boa organização e disciplina nos momentos de atividades corporativas, ganha por tabela mais tempo com a família, mais tempo para praticar exercícios, e se curtir", relata Vasconcelos.

E, também, com o ganho de tempo o colaborador adquire mais tempo para estudar. "Trabalhando em casa, eu posso acordar mais cedo e dedicar tempo de estudo. Posso até mesmo investir em uma faculdade", acrescenta Telso Amorim.

Outro benefício para o colaborador que trabalha na forma de home office é a diminuição de gastos. "Quando o funcionário exerce suas funções presencialmente na empresa, ele termina gastando com alimentação, vestimenta e transporte. Trabalhando remotamente, o colaborador elimina esses gastos", afirma a especialista em recursos humanos da Neurotech, Tereza Helena Cavalcanti.

DESVANTAGENS Por outro lado, o trabalho em casa também pode isolar o colaborador das atualizações do mercado no qual ele está inserido. Tereza explica que "pelo fato de o profissional não estar no dia a dia com o grupo empresarial compartilhando aprendizado, ele não sente a necessidade nem consegue identificar as mudanças que ocorrem na sua área de atuação com a velocidade com que os outros funcionários conseguem no ambiente corporativo".

Além disso, em muitos casos, as distrações do meio doméstico influenciam tanto a qualidade do que é produzido, quanto a pontualidade. "Se a pessoa não tiver controle e organização de suas atividades em casa, estas acabam se chocando com os compromissos do trabalho", alerta Tereza.

CUSTOS Os profissionais precisam estar atentos na hora de fechar contratos de atividades home office. O advogado trabalhista Geraldo Fonseca* afirma que nos contratos dos trabalhadores que atuam de forma remota devem estar inseridos os pagamentos de custos de serviços, como os de internet e telefone, e dos aparelhos para trabalho, no formato de despesas (não como acréscimo salarial).

"Segundo o Artigo 75 da Consolidação das Leis do Trabalho, é dever do empregador arcar com os custos do trabalho home office. Acontece muitas vezes das empresas estipularem um gasto e acrescentarem no salário do funcionário. Por exemplo, um profissional ganha R$ 1.000 e vai passar a receber R$ 1.500 para trabalhar em casa. Isso não pode! Esses custos precisam entrar como despesas", enfatiza Geraldo.

*Geraldo Fonseca é advogado da Martorelli

Originalmente publicado no Jornal do Commercio