O Banco Central do Brasil lançou o BC Protege+, um serviço gratuito criado para reforçar a prevenção a fraudes de identidade no sistema financeiro. A ferramenta permite que pessoas físicas e jurídicas bloqueiem previamente a abertura de contas bancárias ou a vinculação indevida de seus dados a contas existentes, reduzindo riscos de golpes e uso indevido de CPF e CNPJ.
De acordo com Sílvio Soares, sócio em Martorelli Advogados, o principal objetivo do serviço é combater a fraude de identidade, também conhecida como falsidade ideológica. “A ferramenta ajuda a impedir a abertura de contas ‘laranjas’, evitando que criminosos utilizem o CPF da pessoa física ou o CNPJ de empresas para movimentar recursos ilícitos, contratar empréstimos ou emitir cartões de crédito sem autorização”, explica.
Segundo o advogado, o BC Protege+ também atua de forma relevante contra crimes cada vez mais comuns no ambiente digital. “Golpistas costumam abrir contas de forma rápida, especialmente em bancos digitais, para receber valores provenientes de sequestros-relâmpago ou golpes de WhatsApp. O serviço bloqueia esse tipo de prática logo na origem”, complementa.
Como funciona o BC Protege+
Com a ativação do serviço, o cidadão ou a empresa informa formalmente às instituições financeiras que não autoriza a abertura de contas em seu nome, nem a inclusão como titular ou representante em contas já existentes. A restrição vale para contas de depósito, poupança e contas de pagamento pré-pagas, inclusive em instituições com as quais o CPF ou CNPJ já tenha relacionamento anterior.
Lançado em dezembro de 2025, o BC Protege+ já registrou 716 mil ativações até 15 de janeiro deste ano. Apenas no início de janeiro, o Banco Central informou o bloqueio de 111 mil tentativas de abertura de contas fraudulentas, demonstrando a efetividade da ferramenta.
Benefícios também para empresas
O serviço traz impactos positivos também no ambiente corporativo, especialmente na proteção do CNPJ. Segundo Sílvio Soares, o BC Protege+ ajuda a evitar o uso indevido de dados empresariais por ex-sócios, ex-funcionários ou terceiros que tenham acesso a documentos da empresa.
“A ferramenta previne fraudes envolvendo fornecedores, como a criação de contas falsas em nome da empresa para emissão de boletos fraudulentos contra clientes. Além disso, protege o score de crédito corporativo contra endividamentos não autorizados”, destaca o advogado.
Outro ponto relevante é o fortalecimento da governança e da relação com clientes. “A verificação do BC Protege+ demonstra que a instituição adota boas práticas de segurança da informação e proteção de dados, alinhadas às diretrizes de supervisão do Banco Central”, afirma.
Sílvio também alerta para a importância do compliance. “Antes de abrir uma conta, as instituições devem consultar se existe manifestação de ‘não interesse’ por parte do cliente. Ignorar esse alerta pode caracterizar falha de conformidade”, completa.
Implementação e cuidados adicionais
Para integrar o serviço aos processos internos, as empresas devem incluir a consulta ao BC Protege+ como etapa obrigatória e impeditiva na abertura de contas digitais ou concessão de crédito. Também é recomendável capacitar as equipes de prevenção à fraude e manter registros das consultas realizadas, que podem servir como evidência em auditorias ou disputas futuras.
A adesão ao serviço pode ser feita por qualquer pessoa que possua conta gov.br nível prata ou ouro, com autenticação em duas etapas ativada. Após a ativação, nenhuma instituição financeira poderá abrir contas ou incluir o usuário como titular ou representante até que a proteção seja desativada.
Apesar da nova ferramenta, o advogado reforça que a atenção do usuário continua sendo fundamental. “Sinais como senso de urgência, pedidos de senhas ou tokens, links suspeitos, erros de ortografia e solicitações de transferências para pessoas físicas desconhecidas são fortes indícios de golpe. Bancos nunca solicitam senhas ou códigos por telefone ou redes sociais”, alerta.