Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

Sabe-se que a gramática social está estruturalmente inserida em uma lógica sustentada por hierarquias étnico-raciais. Desse modo, ao se adotar uma perspectiva interseccional sobre os atravessamentos econômicos, sociais e, inclusive, psicodemográficos, observa-se a imprescindibilidade do debate entre raça e gênero para que se vislumbrem caminhos de superação dessas tecnologias de poder.

Segundo dados extraídos do Atlas da Violência (2025), no Brasil, ‘em 2023, foram registradas 2.662 mulheres negras vítimas de homicídio, o que representa 68,2% do total de homicídios femininos’. Ou seja, quase 70% dos feminicídios tiveram como vítimas mulheres negras, o que evidencia a necessidade de formulação de medidas macroestruturais que considerem as especificidades desse grupo.

Diante das implicações materiais e simbólicas do racismo e do machismo, evidencia-se a necessidade de uma política de Estado voltada à concreção de medidas que contemplem suas particularidades, em contraposição aos comportamentos que tendem a homogeneizar segmentos sociais historicamente vulnerabilizados.

Outro aspecto importante é que, ao se refletir sobre a construção da identidade cultural e política, especialmente nos países que integram a América Latina e o Caribe, é inegável a contribuição das mulheres negras, latino-americanas e caribenhas. Contudo, ao se analisarem as narrativas hegemônicas, observa-se um contexto marcado pela tentativa de invisibilização dessas vozes, em um processo contínuo de apagamento histórico que reforça estruturas coloniais e patriarcais.

Dessa maneira, impõe-se a necessidade de um pacto social que enfrente os imperativos raciais e sexistas, visando à concreção de uma sociedade pautada na igualdade material. Assim, partindo-se de um compromisso institucional, entende-se que, inclusive na atuação jurídica, é necessário dar enfoque e fazer ecoar perspectivas que considerem a correlação entre racismo e machismo.

Portanto, o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha representa uma data relevante para a (re)afirmação do compromisso ético, político, social e institucional diante das demandas que envolvem tal segmento.

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