{"id":1159,"date":"2024-06-21T16:42:01","date_gmt":"2024-06-21T16:42:01","guid":{"rendered":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/?p=1159"},"modified":"2024-06-21T18:37:05","modified_gmt":"2024-06-21T18:37:05","slug":"novo-pl-e-um-retrocesso-devastador-nos-direitos-das-mulheres-e-vitimas-de-estupro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/novo-pl-e-um-retrocesso-devastador-nos-direitos-das-mulheres-e-vitimas-de-estupro\/","title":{"rendered":"Novo PL \u00e9 um retrocesso devastador nos direitos das mulheres e v\u00edtimas de estupro"},"content":{"rendered":"\n<p>O Projeto de Lei n\u00ba. 1.904\/2024, que agora tramita em regime de urg\u00eancia na C\u00e2mara dos Deputados, representa um retrocesso alarmante nos direitos reprodutivos das mulheres brasileiras.<br>Proposto pelo deputado S\u00f3stenes Cavalcante (PL-RJ) e outros 32 parlamentares, o projeto equipara o aborto realizado ap\u00f3s 22 semanas de gesta\u00e7\u00e3o ao crime de homic\u00eddio, mesmo em casos legalmente autorizados, como gravidez resultante de estupro. Essa proposta ignora fundamentos cient\u00edficos, legais e humanit\u00e1rios, impondo penas desproporcionais \u00e0s mulheres, especialmente \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade dos n\u00fameros \u00e9 estarrecedora. Segundo o Minist\u00e9rio da Mulher, 38 meninas de at\u00e9 14 anos se tornam m\u00e3es a cada dia no Brasil. Em 2022, mais de 14 mil gravidezes ocorreram entre meninas de 10 a 14 anos em nosso pa\u00eds. O F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica reportou cerca de 75 mil casos de estupro no mesmo ano, com 60% das v\u00edtimas sendo crian\u00e7as de at\u00e9 13 anos. Esses n\u00fameros evidenciam a necessidade urgente de prote\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual, e n\u00e3o a sua criminaliza\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n\n\n\n<p>O atual C\u00f3digo Penal Brasileiro permite o aborto em tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es: quando a gravidez resulta de estupro, quando h\u00e1 risco de vida para a mulher e em casos de anencefalia fetal. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) estendeu a permiss\u00e3o para abortos em casos de anencefalia, sem limitar o tempo de gesta\u00e7\u00e3o. No entanto, o PL 1.904\/2024, ao criminalizar o aborto ap\u00f3s 22 semanas, mesmo em casos de estupro, viola esses direitos estabelecidos, atentando contra a autonomia das mulheres sobre seus corpos e sua sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o projeto penaliza desproporcionalmente as mulheres em rela\u00e7\u00e3o aos estupradores. Uma v\u00edtima de estupro que abortar ap\u00f3s 22 semanas poder\u00e1 ser condenada a at\u00e9 20 anos de pris\u00e3o, enquanto seu agressor pode receber uma pena m\u00ednima de seis anos. Essa disparidade absurda transforma a v\u00edtima em r\u00e9, perpetuando a injusti\u00e7a e a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais v\u00edtimas de estupro e gravidez precoce s\u00e3o meninas negras e pobres, que enfrentam barreiras adicionais no acesso ao aborto legal. Apenas 3,48% dos munic\u00edpios brasileiros oferecem servi\u00e7os de aborto legal, for\u00e7ando muitas mulheres a procurarem alternativas inseguras e clandestinas, colocando suas vidas em risco.<\/p>\n\n\n\n<p>O PL 1904\/2024 exacerba essa situa\u00e7\u00e3o, tornando ainda mais dif\u00edcil para essas mulheres acessarem servi\u00e7os de sa\u00fade seguros e legais.<\/p>\n\n\n\n<p>A ministra das Mulheres, Cida Gon\u00e7alves, destacou que o projeto revitimiza as meninas e mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual. A aprova\u00e7\u00e3o do PL significaria um enorme retrocesso nos direitos reprodutivos e na luta pela igualdade de g\u00eanero no Brasil. Este projeto de lei \u00e9 uma afronta aos direitos humanos e \u00e0 justi\u00e7a social. Equiparar o aborto ao homic\u00eddio em casos permitidos por lei \u00e9 um passo perigoso para tr\u00e1s, ignorando a realidade vivida por milhares de mulheres e meninas no Brasil. A proposta n\u00e3o s\u00f3 penaliza desproporcionalmente as v\u00edtimas de estupro, como tamb\u00e9m ignora os princ\u00edpios fundamentais de dignidade, autonomia e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto importante dentro desse contexto \u00e9 que, ao inv\u00e9s de ser pautada uma discuss\u00e3o voltada para a sa\u00fade p\u00fablica e a necessidade de enfrentamento da viol\u00eancia sexual contra mulheres e meninas, esvazia-se o debate e delega essa fun\u00e7\u00e3o para o \u00e2mbito penal, criminalizando-se a v\u00edtima.<br>\u00c9 imperativo que a sociedade civil, os defensores dos direitos humanos e os legisladores comprometidos com a justi\u00e7a se unam para impedir a aprova\u00e7\u00e3o deste projeto de lei e garantir a prote\u00e7\u00e3o e os direitos das mulheres brasileiras. O Brasil precisa avan\u00e7ar, n\u00e3o retroceder, na defesa dos direitos humanos e na promo\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria para todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Projeto de Lei n\u00ba. 1.904\/2024, que agora tramita em regime de urg\u00eancia na C\u00e2mara dos Deputados, representa um retrocesso alarmante nos direitos reprodutivos das mulheres brasileiras.Proposto pelo deputado S\u00f3stenes Cavalcante (PL-RJ) e outros 32 parlamentares, o projeto equipara o aborto realizado ap\u00f3s 22 semanas de gesta\u00e7\u00e3o ao crime de homic\u00eddio, mesmo em casos legalmente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":1160,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"ppma_author":[25],"class_list":["post-1159","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-contencioso-civel-estrategico"],"authors":[{"term_id":25,"user_id":6,"is_guest":0,"slug":"thais-ferreira","display_name":"Tha\u00eds Ferreira","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a153905cbb29c1a8da9369293634ea6d6eb4393665a098e010b31e70d3597942?s=96&d=mm&r=g","0":null,"1":"","2":"","3":"","4":"","5":"","6":"","7":"","8":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1159"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1159\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1161,"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1159\/revisions\/1161"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1159"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/martorelli.com.br\/dialogoslegais\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}