Uma matéria do Globo Rural, com base em levantamento da Serasa Experian, traz um dado que merece leitura cuidadosa.
Em 2025, os maiores níveis de inadimplência rural apareceram entre arrendatários, produtores vinculados a grupos familiares ou econômicos e grandes produtores individuais.
Esse recorte ajuda a entender o motivo pelo qual o endividamento do produtor rural nem sempre nasce de uma operação pequena ou sem patrimônio.
Muitas vezes, ele aparece em estruturas relevantes, com área produtiva, histórico de crédito, contratos em andamento e relação antiga com bancos, fornecedores, tradings e revendas de insumos.
No arrendamento, a atividade já começa com um custo relevante antes mesmo do resultado da safra.
O produtor precisa pagar pela terra, financiar o plantio, comprar insumos e lidar com clima, preço, câmbio e prazo de recebimento.
Nas operações maiores, a escala amplia também o volume das dívidas, das garantias e das obrigações assumidas ao longo do ciclo produtivo.
Por isso, a inadimplência rural raramente aparece de uma hora para outra.
Ela vai se formando na margem que diminui, na renovação de crédito em condições piores, na rolagem de uma dívida com outra, na garantia que já não comporta nova operação e na ausência de uma visão consolidada sobre tudo o que está em aberto.
Muitos produtores só procuram apoio quando a cobrança já começou, quando o banco endureceu a conversa ou quando a execução passou a ameaçar patrimônio, safra e continuidade da atividade.
Nesse estágio, ainda há caminhos possíveis, mas a margem de negociação costuma ser menor.
Por isso, a renegociação rural precisa começar antes. Até porque, não basta olhar para a parcela do mês ou para o saldo devedor de um contrato específico. É bem melhor entender a operação inteira.
Foi a partir dessa leitura que estruturamos o ReAgro, uma solução voltada à renegociação de dívidas rurais.
O trabalho parte de uma visão multidisciplinar porque a dívida do produtor não é apenas um assunto bancário.
A safra tem ciclo, o crédito tem prazo, a dívida tem custo e a cobrança segue seu próprio rito.
Por isso, organizar essas informações antes da crise dá ao produtor mais espaço para negociar, proteger a atividade e evitar que decisões urgentes sejam tomadas sem leitura completa da operação.
E é justamente nesse momento que o ReAgro atua: antes que o endividamento deixe de ser administrável e passe a definir, sozinho, o futuro do produtor rural.
Por Constantinos Maia, sócio de Martorelli Advogados