As ferramentas de inteligência artificial revelaram inconsistências que já existiam dentro das empresas, mas que permaneciam invisíveis porque o custo de revisão era alto.

Os contratos são um excelente exemplo dessa realidade.

Cláusulas de reajuste, renovações automáticas e multas são informações importantíssimas, mas que passavam despercebidas porque o custo de uma revisão manual poderia ser tão alto quanto o próprio risco financeiro envolvido.

A Mercedes oferece um ótimo estudo de caso para entender essa lógica em escala industrial. Atualmente, a empresa administra mais de 500 mil relações com fornecedores por meio de uma plataforma de gestão de contratos baseada em inteligência artificial.

Antes disso, a área de procurement da Mercedes operava com um sistema de 25 anos de uso, no qual, para colocar um único fornecedor novo sob contrato, era preciso passar por processos altamente segmentados.

Havia um sistema para emitir a RFP, outro para selecionar o fornecedor, um terceiro para formalizar o contrato e, ainda, um quarto para acompanhar se aquele parceiro estava cumprindo o que havia sido firmado. Cada etapa enxergava apenas o próprio escopo; nenhuma tinha visibilidade do todo.

Foi exatamente esse problema que a Mercedes buscou resolver. Contudo, antes de implementar qualquer ferramenta de IA, a empresa unificou os dados de todos os fornecedores em um único ambiente.

Foi só depois dessa unificação que a inteligência artificial entrou em cena, com uma função específica: ler cada contrato e atribuir uma pontuação de risco por cláusula, comparando o que havia sido negociado com um conjunto de regras previamente definidas pela área jurídica.

𝗢 𝗿𝗲𝘀𝘂𝗹𝘁𝗮𝗱𝗼 𝗳𝗼𝗶 𝘂𝗺𝗮 𝗾𝘂𝗲𝗱𝗮 𝗲𝘅𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀𝗶𝘃𝗮 𝗻𝗼 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼 𝗱𝗲 𝗻𝗲𝗴𝗼𝗰𝗶𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗮𝘁𝗼𝘀: 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗺𝗲́𝗱𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗶𝘀 𝘀𝗲𝗺𝗮𝗻𝗮𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮𝗽𝗲𝗻𝗮𝘀 𝘂𝗺𝗮.

É um ganho de eficiência impressionante.

Há outro dado igualmente relevante para a análise da implementação de ferramentas de IA. Estima-se que erros como ausência de cláusulas de reajuste ou renovações automáticas não identificadas custem entre 2% e 4% da receita em operações dessa escala.

Em uma carteira pequena, esse tipo de perda já é incômodo. No entanto, ao olharmos para meio milhão de relações contratuais, essa perda se transforma em uma linha de risco financeiro capaz de justificar a reformulação de toda a infraestrutura jurídica de uma companhia.

Na minha leitura, o aspecto mais interessante desse case é que a empresa entendeu que de nada adiantaria implementar a IA para a gestão dos contratos sem antes revisar os seus processos internos. É o mesmo ponto de partida que usamos em toda implementação do Bob Contratos.

𝗔 𝗠𝗲𝗿𝗰𝗲𝗱𝗲𝘀 𝗮𝗰𝗲𝗿𝘁𝗼𝘂 𝗻𝗮 𝗼𝗿𝗱𝗲𝗺: 𝗽𝗿𝗼𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼𝘀 𝗲 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗮𝘀 𝗷𝘂𝗿𝗶́𝗱𝗶𝗰𝗮𝘀 𝗽𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗼, 𝘁𝗲𝗰𝗻𝗼𝗹𝗼𝗴𝗶𝗮 𝗱𝗲𝗽𝗼𝗶𝘀.

Por Carolina Lins, sócia de Martorelli Advogados

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