Durante muito tempo, a pergunta que orientou diversos investimentos no Brasil foi simples: “onde a carga tributária seria menor?”.
No Nordeste, essa lógica teve papel central na atração de investimentos e na expansão industrial na região. Com a Reforma Tributária, esse mapa começa a ser redesenhado.
A extinção gradual dos benefícios fiscais está levando companhias a refazerem as contas e revisarem estratégias de negócio.
E o que muda quando o imposto deixa de ser o diferencial?
Sem a vantagem fiscal compensando parte dos custos logísticos, a proximidade com o mercado consumidor, a eficiência portuária e a qualidade da infraestrutura passam a ocupar posição central nas decisões de investimentos.
Regiões que cresceram ancoradas em benefícios estaduais agora precisam acelerar os investimentos em infraestrutura, eficiência logística e qualificação de mão de obra. O diferencial competitivo migra do “fiscal” para o “operacional”.
Com a manutenção da proteção constitucional aos incentivos da Zona Franca de Manaus até 2073, já é possível observar empresas recalculando suas estruturas operacionais e avaliando se a permanência em outras regiões continuará economicamente justificável no cenário.
O papel do assessor tributário hoje vai muito além da atuação em contencioso ou da interpretação normativa. Precisamos participar da viabilidade das operações.
Entender como a transição entre regimes impacta o caixa, a cadeia logística e a continuidade dos fluxos é o que permite uma tomada de decisão mais segura neste contexto de reorganização econômica.
A Reforma está nos lembrando de que um negócio deve ser sustentável pela sua eficiência, não apenas pela sua desoneração.
Para o Nordeste, o desafio é transformar o antigo atrativo fiscal em uma infraestrutura de excelência que mantenha os investimentos por aqui no longo prazo.
A transição tributária já começou a influenciar decisões de investimento, logística e expansão. Antecipar esses impactos já é uma necessidade empresarial imediata. O planejamento que ignora essa transição pode se tornar obsoleto muito antes do esperado.
Por Andrea Feitosa, Sócia de Martorelli Advogados