Oportunidades imobiliárias exigem mais do que bom cenário

Em momentos de instabilidade global, o mercado imobiliário costuma voltar ao centro da conversa. E não por acaso.

Em cenários de guerra, tensão geopolítica, volatilidade financeira e incerteza internacional, ativos reais passam a ser vistos como espaços de preservação patrimonial, sobretudo em países que consigam transmitir alguma previsibilidade institucional.

É nessa lógica que o Brasil passa a ser observado com mais atenção, diante da expectativa de redução gradual da Selic, da ampliação do crédito habitacional e de estímulos ao investimento estrangeiro no setor.

O diagnóstico é interessante, mas ele precisa ser lido com cautela. Oportunidade imobiliária não se sustenta apenas em percepção de mercado.

Ela depende de alguns fatores, tais como: estrutura, financiamento que efetivamente chegue na ponta, segurança contratual, previsibilidade regulatória e, acima de tudo, da capacidade de transformar interesse em operação viável.

A perspectiva de expansão do crédito e de melhora das condições macroeconômicas pode, sim, favorecer o setor.

Tudo isso pode impulsionar o mercado. Mas o mercado imobiliário sério não se move só por expectativa. Ele se move quando a operação fecha com segurança.

Esse ponto me parece o mais importante. Em ambientes mais aquecidos, o desafio jurídico não diminui. Ele aumenta.

É justamente nos ciclos de maior otimismo que se multiplicam estruturas mal desenhadas, promessas excessivas, diligências superficiais e contratos que não distribuem riscos de forma adequada.

Por isso, quando se fala em oportunidades em meio à tempestade global, eu tendo a olhar menos para a manchete e mais para a engenharia da operação. A atratividade do país pode crescer.

No mercado imobiliário, bons ciclos não dispensam prudência. Ao contrário. Exigem ainda mais técnica. Porque não basta identificar um ambiente promissor.

É preciso ter estrutura para operar bem dentro dele. E é justamente aí que o Direito deixa de ser apenas proteção contra litígios futuros e passa a integrar a inteligência do negócio.

Por Constantinos Maia, Sócio de Martorelli Advogados

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