Para uma empresa que sofre um incidente de segurança, a primeira reação costuma ser “Faltou investimento em ferramenta”, “O sistema era antigo” ou “A TI precisava de mais braço”.

É uma explicação confortável, mas que transforma um problema cultural e de processos em algo que parece se resolver com orçamento.

O que constatei na prática é que as empresas mais expostas que encontrei na minha trajetória não eram as menos tecnológicas. Muitas vezes, eram as mais aparelhadas: e-commerces e varejistas de crescimento acelerado, com sistemas de ponta e equipes estruturadas.

Como isso é possível?

A fragilidade estava na falta de conexão entre as ferramentas.

O risco adora o vazio entre os departamentos:

    ⇢ Comercial contrata um SaaS que o Jurídico nunca viu
    ⇢ Marketing coleta dados que ninguém sabe onde estão guardados
    ⇢ TI implanta o sistema sem validar os requisitos da LGPD

Cada área resolve bem o seu próprio problema, mas ninguém assume a responsabilidade pelo que acontece no espaço entre elas.

Em empresas que crescem rápido, a operação corre na frente da estrutura. E acaba que a tecnologia vem com papel para apagar incêndio, não para compor um sistema pensado que vai refletir na cultura organizacional. O resultado? Ferramentas boas que não se integram e dados espalhados que ninguém mapeou.


O problema quase nunca está onde se procura. Não é a falta da ferramenta, é a falta de leitura do conjunto.

Foi sobre isso que escrevi no post anterior, quando falei do compliance que não sobrevive à rotina, e a lógica aqui é a mesma. O problema quase nunca está onde se procura. Não é a falta da ferramenta, é a 𝐟𝐚𝐥𝐭𝐚 𝐝𝐞 𝐥𝐞𝐢𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐣𝐮𝐧𝐭𝐨 𝐨𝐫𝐠𝐚𝐧𝐢𝐳𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥. Por isso, a pergunta que vai importar não é se a empresa tem tecnologia suficiente, mas se as suas áreas, processos e controles estão lendo a mesma página.

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