Servir talvez seja o novo verbo da liderança

Hoje, logo mais, vou participar, novamente, do CEO Fórum – Edição Pernambuco, organizado pela Amcham-Brasil, mediando o painel dos CEOs, desta vez tratando sobre o desafio da execução.

Apesar de parecer batido, esse tema segue essencial para organizações que buscam alta performance. Mais do que revisitado, precisa ser praticado com clareza e constância.

Para mim, liderança sempre pareceu intuitiva, quase sem ciência por trás. Logo eu, tão acostumada a buscar dados, método e evidências antes de confiar em qualquer resposta.

Talvez por isso resolvi voltar ao lugar de estudante de pós-graduação, mesmo depois do mestrado, e, não por coincidência, resolvi estudar algo não jurídico para tentar massagear essa inquietação.

Estou fazendo uma pós-graduação, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, em Espiritualidade, Carreira e Sentido da Vida, e não é que o módulo atual é exatamente sobre liderança?

O professor do módulo é James Hunter, autor do famoso livro “O Monge e o Executivo”, e ele desenvolve o conceito da liderança servidora.

Ele trabalha esse conceito a partir do verbo servir. Ou seja, o líder deve, antes de qualquer coisa, servir. Mas atenção: servir ao outro – cliente, time, uma organização – e a um propósito e não a si próprio.

Servir, aqui, não tem relação com submissão ou perda de autoridade. Tem relação com disponibilidade, escuta, conexão e responsabilidade pelo desenvolvimento das pessoas.

Liderar, nessa perspectiva, traz consigo a missão de fazer aquilo que as pessoas precisam e não aquilo que elas querem.

São duas coisas bem diferentes e que exigem muita maturidade para construção da relação, pois, na liderança, o que importa, a meu ver, é a influência e o impacto que você deixa nas pessoas.

Liderar é uma jornada de despir-se de si para olhar para o outro.

Essa jornada deveria colocar o líder diante de uma pergunta simples, mas incômoda: minha liderança ajuda as pessoas a crescerem, realizarem melhor o que sabem fazer e alcançarem resultados? Ou, no fundo, ela existe para me servir?

Essa reflexão ganha um peso ainda maior no contexto da inteligência artificial.

Tarefas que antes consumiam horas já podem ser assumidas pela tecnologia. Isso reposiciona a liderança, que não pode seguir presa à lógica de fazer, controlar e responder por tudo.

Com a IA nas equipes, o líder precisa sair do papel de operador e se aproximar dos papéis de multiplicador e visionário.

A tecnologia amplia a inteligência e reduz tarefas repetitivas, mas não substitui o olhar humano nem a responsabilidade de pensar estratégia e ajudar alguém a entregar o seu melhor.

Tenho pensado que liderar, daqui para frente, exigirá menos apego ao controle da execução e mais compromisso com o desenvolvimento humano.

E talvez seja exatamente aí que servir volte a ser uma das formas mais sérias de liderar.

Por Nathália Grizzi, sócia de Martorelli Advogados

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